
Obedecendo aquele jeito inicial, tenho que te dizer. Não sei como, se tem um jeito certo, então vou me deitar e olhar mais algumas vezes o teto. Que isso nas minhas costas? Deu, tô confortável. Bem. Então. Lembra do que a gente prometeu? Aquele lance de ser sincero? Pois é. Você é uma garota super parceira, divertida, linda, independente, sem paranóias. Nunca vi igual. Gosto demais de ficar contigo. Mesmo. Só que aconteceu uma coisa. Não vou poder mais vir.
Falando assim para o teto parece mesmo que tô num analista. É engraçado. E não é que você me ajudou de verdade? Olha, duvido que qualquer psicoterapia por aí me faça tão bem quanto aquelas nossas noites juntos andando de mãos dadas. Pensando agora, aqueles sonhos repetitivos da minha ex-namorada me rejeitando em locais públicos não voltaram mais. Nem aquele que ela me liga explicando que acabou porque me achava um perdedor. Lembra? Não tive mais.
Até queria te agradecer, além de tudo, você me curou de vários traumas. Me sinto bem mais preparado agora. E também não acho justo ficar guardando meu lugar na fila, atrapalhando que algum carinha aí se encante por você, o que não é nada difícil, saiba disso. Até eu, no começo, lembra? Quando eu finalmente voltaria a dizer aquelas três palavrinhas vem você e cala a minha boca e solta um apavorado "não fale isso". Não entendi, na hora. Agora ficou tudo mais claro. Você é uma mulher sabida, inteligente. Essa relação moderna foi a melhor coisa que me aconteceu.
Sentirei grande falta sua, uma nostalgia de te ver andando pela sua casa com meu casaco cinza, das besteiras que comíamos. Mas vai ficar chato a gente seguir se vendo, ainda que como bons amigos. Sei que você entende. Se no seu caso, se o moço de sorte aparecesse, eu também entenderia. E eu torço pra que isso aconteça. Torço por ti. Você é magnífica.
Mas não existe recomeço sem um fim. E no final das contas, ninguém dá adeus, do amanhã não se sabe. Vai que um dia, numa determinada situação, em algum bar de esquina, nos encontraremos novamente? Nenhum amor é eterno, né? Qualquer coisa, se eu precisar muito ligo pra você, tá? Um último beijo, mas dessa vez há de ser na testa. Se cuida. Até mais.
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